Há um bom tempo as terras do governo federal no centro do estado de São Paulo que, desde o início do século passado, deveriam ser destinadas à Reforma Agrária, foram griladas por grandes latifundiários e denominadas de Santo Henrique. O tal santo não existe na religião católica, mas, foi considerado assim pelos grileiros beneficiados, como homenagem a um tal Henrique, dono de um cartório na região especializado na obra do grilo.
É evidente que o Estado brasileiro sabia disso, porém, a região só ficou famosa quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, organizou trabalhadores rurais que ocuparam uma das áreas protegidas pelo santo e usada pela CUTRALE e em protesto derrubaram pés de laranja, num ato que ganhou destaque nacional.
Assim como Henrique, um tal Geraldo Alckmin do PSDB, por sinal governador do estado de São Paulo, também quer seu lugar ao pulpito e pretende legalizar terras griladas por latifundiários no Pontal do Paranapanema. A medida já havia sido ventilada em 2007, por outro tucano, que queria abandonar a fama de vampiro para engrossar a lista de santos como santo Serra, que aliás, seria bem sugestivo diante da devstação promovida pelos latifundiários na região.
Veja a seguir reportagem publicada pela Folha de São Paulo em 04/09/2011.
Alckmin quer vender terra pública no Pontal
MST é contra e chama de "legalizar grilagem'; para prefeitos da região, projeto poderá atrair novos investimentos
DE SÃO PAULO por Aguirre Talento
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) quer dar um fim às disputas por terras no Pontal do Paranapanema, oeste do Estado, principal área de conflito agrário.
Para isso, lança medida polêmica: permitir que fazendeiros comprem terras que o próprio Estado reivindica como sendo suas. A oposição chama a medida de "legalização da grilagem".
Alckmin pediu empenho aos deputados para a aprovação, na Assembleia Legislativa, de dois projetos de lei sobre o tema. Um é antigo, de 2007, mas o outro começou a tramitar no mês passado. Devem ser votados juntos.
O governo paulista tem 55 ações na Justiça para reivindicar a posse de 155 mil hectares de terra naquela região, que teriam sido ocupados por grileiros. Algumas tramitam há mais de dez anos.
A aprovação dos projetos agilizaria a resolução da questão, sem precisar esperar pela Justiça. O Estado, porém, abre mão das terras.
Cerca de 700 famílias do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) estão acampadas aguardando que as terras sejam destinadas à reforma agrária. "A aprovação presenteia os fazendeiros com terras públicas", diz Cledson Mendes, coordenador no Pontal.
Os prefeitos dizem que haverá atração de investimentos. "Empresas não se instalam aqui porque as terras estão em disputa judicial", afirmou José Gutierrez (DEM), presidente da União dos Municípios do Pontal.
O projeto de lei de 2007 foi proposto pelo ex-governador José Serra. Por ser polêmico, nunca foi votado. Permite a regularização de propriedades superiores a 500 hectares mediante o pagamento de taxa ao Estado.
O outro projeto, mais recente, regulariza as propriedades com até 500 hectares, também com pagamento de taxa.