O custo da passagem de ônibus urbano em Campinas é uma das mais caras do país.
Além do aumento de 9,6% concedido pelo Prefeito em janeiro de 2011, que elevou o valor da passagem paga na catraca de R$ 2,60 para R$ 2,85, o que já é um absurdo, os passageiros pagam ainda indiretamente mais R$ 0,15 como subsídio de dinheiro público resultando em R$ 3,00.
Desde 2006, a Prefeitura adotou o subsídio da passagem com dinheiro do orçamento público da Assistência Social. Os valores são aprovados anualmente na votação do orçamento pela Câmara, que por sua vez, aprova tudo que o Prefeito manda.
De lá para cá, os valores repassados até 2010 somam quase R$ 100 milhões (ver quadro a seguir) e em 2011 serão mais R$ 28 milhões, um aumento de 12% em relação a 2010.
Para se chegar aos R$ 0,15 por passagem basta dividir esses R$ 28 milhões por cerca de 192 milhões de passagem por ano (dado de março/2009).
Ano | Valor Anual (R$) | Total Acumulado (R$) |
2006 | 9.000.000,00 | 9.000.000,00 |
2007 | 17.000.000,00 | 26.000.000,00 |
2008 | 20.500.000,00 | 46.500.000,00 |
2009 | 25.000.000,00 | 71.500.000,00 |
2010 | 25.000.000,00 | 96.500.000,00 |
2011* | 28.000.000,00 | 124.500.000,00 |
*previsto
Por lei, cabe ao Prefeito anualmente controlar a tarifa e, por decreto, definir seu valor. Isso, sempre agindo com transparência, enfrentando as empresas e defendendo os interesses da população que utiliza o transporte coletivo.
Este subsídio permite que ele jogue com a população quando diz defender aumentos “compatíveis com a qualidade” e que não onerem os trabalhadores (as). Além disso, o subsídio alivia as responsabilidades do Prefeito, uma vez que a população desconhece o mecanismo financeiro e não sabe que o dinheiro vai diretamente para as empresas.
Para completar a perversidade o dinheiro do subsídio sai do orçamento da Assistência Social supostamente para garantir transporte de pessoas idosas e pessoas com deficiência, cujo direito ao transporte gratuito já era garantido muito antes dos atuais contratos de concessão.
Resultado? O dinheiro que vai para o bolso dos empresários do transporte falta no atendimento da política pública da Assistência Social no município.



